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COLUNISTA

PRESO NO TÓRAX

Por Juliano Azevedo

JULIANO AZEVEDO

JULIANO AZEVEDOFilho, neto, irmão, amigo. Mineiro, cosmopolita, viajante, turista. Urbano da fazenda. Da roça. Esotérico de fé espiritualista. Romântico, pensador, político, cidadão. Jornalista, professor universitário, publicitário. Mestre em Estudos Culturais. Amante da televisão, de séries, de livros, de guias de turismo. Sou assim: um sujeito que se veste de diferentes formas, que ouve os mesmos discos, mas curte todos os gêneros, que possui heróis incomuns. Sou vários Uniformes, sou Juliano, o escritor.

11/08/2019 14h00
Por: Jackson Silva
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(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

Vivemos enclausurados. Presos em sentimentos, a momentos, a lugares, às pessoas. De toda maneira, aos tempos – passado, presente, futuro. Até mesmo no pretérito mais que perfeito, sentimos a angústia do apego. Afinal, o que é a perfeição? Ela também pode estressar. Mas o pior é trazer, literalmente, a gramática para a vida. Deixar que o significado da conjugação verbal conhecida como pretérito imperfeito nos domine. Refere-se a um fato ocorrido no passado, mas que não foi completamente terminado. Ou seja, expressa uma ideia de continuidade e de duração no tempo. Prisão perpétua, às nossas escolhas. 

Estamos enraizados em valores conservadores, da velha história da bisavó que ensinou às outras gerações que misturar manga com leite faz mal e mata. E esse é um dos mais simples, pois podemos listar posturas mais graves, mais torturantes. Padrões de um patriarcado machista, de um feminismo agressivo e defensivo. De convicções religiosas a partir de uma interpretação humana dos livros sagrados. De vivências sociais impostas por leis que protegem uma minoria dominante. De tabus sexuais, controladores do corpo do outro. Para cada deslize, uma fúria dos deuses, uma lista de pecados, de contravenções, muitas vezes, apenas ideológicas. 

Sobrevivemos em metros quadrados empilhados. Uns mais sortudos, em suas casas de esquina, duplex, área de lazer ampla. Mesmo assim, são prisões: distanciamento do vizinho que divide o muro, do vento que refresca naturalmente, em prol da segurança aos bens, do recolhimento em pequenos feudos. Os apartamentos são caixas que vão se acumulando arquitetonicamente para montar as prisões (ops – moradorias). Por isso, somos como os fósforos: iguais na essência e na função, contudo com diferenças sutis após deixarem a morada. Uns não esquentam a cabeça, outros explodem além da conta. Entretanto, no fim, o destino de ambos também é uma prisão, uma caixa. O lixo. 

Quanto maior a caixa, menor o envolvimento. Com andares cada vez mais altos, as paredes sustentam um coletivo ilusório. É complexa a vida em comunidade quando as individualidades acreditam que cada ética é a verdade pura e única. Os elevadores causam constrangimento. Não saber o que falar, de quem parte a cordialidade do cumprimento, de respirar algo que também é do outro. Quando colocaram o espelho no elevador será que o inventor sentia a necessidade de estar junto ou de ficar sozinho? Ou foi estratégico para demonstrar e provocar comportamentos? De certa maneira, a experiência de ficar consigo... Numa caixa. 

Tranquilamente, pelo amor ou pela dor, é preciso buscar a liberdade, mesmo que nossa caminhada seja estar em caixas, porque escolhemos não morar em árvores. Necessário cuidar do ambiente externo, mas antes remexer lá nos segredos mais escondidos, na caixa de Pandora. Proteger-se. Conectar-se com o interior em busca de aprendizado. Perceber que o coração também mora numa cápsula. Acariciá-lo, transformando sentimentos que ele bombeia, aqueles mais silenciosos, contudo, também naqueles que provocam emoções. Deixar que o tempo se encarregue, porém, sempre é bom dar sorte ao destino.

Paz e Luz. 

 

Juliano Azevedo 

Jornalista, Professor, Escritor, Terapeuta Transpessoal.

Site: www.blogdojuliano.com.br

E-mail: [email protected]

Instagram: @julianoazevedo

 

 

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