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SER OU NÃO SER: SEM DILEMAS

Por Juliano Azevedo

JULIANO AZEVEDO

JULIANO AZEVEDOFilho, neto, irmão, amigo. Mineiro, cosmopolita, viajante, turista. Urbano da fazenda. Da roça. Esotérico de fé espiritualista. Romântico, pensador, político, cidadão. Jornalista, professor universitário, publicitário. Mestre em Estudos Culturais. Amante da televisão, de séries, de livros, de guias de turismo. Sou assim: um sujeito que se veste de diferentes formas, que ouve os mesmos discos, mas curte todos os gêneros, que possui heróis incomuns. Sou vários Uniformes, sou Juliano, o escritor.

06/07/2019 12h58Atualizado há 1 semana
Por: JKR NOTÍCIAS
FOTO: Imagem de photosforyou por Pixabay
FOTO: Imagem de photosforyou por Pixabay

Há dias que dá vontade de ser a lua em eclipse. Dar uma sumida por uns instantes. Fundamentalmente, algumas várias horas. Esconder, recolher, adormecer. Ser sombra. Receber a sombra. Contar até 10 na brincadeira de esconde-esconde. E voltar às fases transitórias da essência.

Há dias que somos cheios. Noutros, somos minguantes. E está tudo certo.

Há dias que dá uma ansiedade para ser o sol em eclipse. Parar de iluminar por minutos, esfriar a mente agitada. Esquecer o calor, entender as barreiras, entregar-se ao fenômeno da caminhada com calma. Após o acontecimento, natural, astronômico, perceber que tudo é efêmero. Em dois minutos ou em quatro minutos e trinta e dois segundos. Depende! Certo, errado, talvez?

Há dias que somos raios. Noutros, somos energias. E não é preciso estranhar.

Há dias que gostaria de ser a Terra em trânsito. Em translação, ou na rotação, seguir a elipse destinada; voltar ao próprio eixo, à centralidade. E assim, entender os movimentos que o mundo dá. As voltas em si e na estrela incandescente, na transcendência a ser experimentada, alcançada. Em velocidade própria, compreender que o ciclo recomeça, recomeça, recomeça.

Há dias que somos foco. Noutros, somos peão giratório. Ambos, necessários ao equilíbrio.

Há dias que aspiro em ser percurso. Brotar na montanha, tornar-se rio. A fonte, a nascente, a água, o mar. Desbravar fronteiras. Com destreza, locomoção para enfrentar as barreiras, para nutrir. Vale até bater, para furar. Insistência também é meta. Procurar atalhos, do mesmo modo. Diferentemente da Terra, não passar pelo mesmo local uma segunda vez. Ser percurso é aprender a lição.

Há dias que somos gota. Noutros, somos oceano. Na profundeza ou na partícula, somos únicos, o todo.

Há dias que quero ser planta. Apreciar as raízes, ter um caule vigoroso – tronco que sustenta. Galhos frutíferos. Galhos que dão frescor. Folhas que protegem, alimentam. Doar todas as potencialidades do ser. Da semente à madeira, do oxigênio ao abrigo, da flor ao fruto. Ser planta é usufruir da conexão do sol, da lua, da água – unidos para o percurso da vida. Para se fazer vida.

Há dias que somos nutridos. Noutros, somos esperança. Há dias que haverá colheita. Lamentavelmente, escassez. Contudo, a busca é a plenitude.

Há dias que me sinto o Universo. Ser grande, inalcançável. Ser miúdo, próximo. Uma dúvida, a invisibilidade. O encontro dos mistérios, a certeza da presença. Acima de tudo, na imensidão da mais alta potência matemática, existe a composição nuclear, no minúsculo ainda não visto. Eu sou ele. Estou nele. Conecto-me pela inspiração e expiração, irradiando para fazer luz, contraindo para fazer amor. Para abraçar, para o aprendizado, para os sentimentos. Acolhimento.

Todos os dias somos humanos.

Juliano Azevedo
Jornalista, Professor, Escritor, Terapeuta Transpessoal.

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E-mail: [email protected] / Instagram: @julianoazevedo

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