Brasil AVANÇO DA COVID-19

Estados apertam restrições contra covid após recorde diário de mortes

Estudo da Fiocruz aponta que das 27 capitais, 20 estão com taxas de ocupação de leitos acima de 80%:

03/03/2021 11h20 Atualizada há 1 mês
Por: Redação JKR Notícias Fonte: R7 - Fabíola Perez, do R7
Das 27 capitais, 20 tem ocupação de leitos de UTI acima de 80% - (Foto: Divulgação Fiocruz)
Das 27 capitais, 20 tem ocupação de leitos de UTI acima de 80% - (Foto: Divulgação Fiocruz)

Um estudo da Fiocruz, divulgado na terça-feira (2), revelou que, desde o início da pandemia todo o país registou um agravamento simultâneo de indicadores da covid-19, como o crescimento do número de casos, mortes, a alta positividade de testes e a sobrecarga de hospitais. O boletim afirmou ainda que embora os dados sejam alarmantes, "constituem apenas a ponta de um iceberg de um patamar de intensa transmissão no país".

Diante do recorde diário de casos, mortes e internações, todos os estados apertaram as restrições para contar a pandemia. O governo de São Paulo anuncia nesta quarta-feira (3) mudanças no plano de flexibilização das atividades econômicas e todas as regiões devem passar para a fase vermelha, etapa em que somente serviços essenciais permanecessem abertos à população. A secretaria estadual de saúde informou que, nesta semana epidemiológica, o estado tem 14,7% a mais de internações por covid-19 do que o registrado no pico da primeira onda da doença, em julho do ano passado. 

No interior do estado, a ocupação de leitos de UTI e enfermaria fez municípios como Araraquara e Mogi Guaçu decretarem lockdown para conter a circulação da população e reduzir a transmissão do vírus. Outros estados já decretaram colapso na saúde. No sul do país, Santa Catarina sofre com a falta de leitos para o tratamento da doença e começou a transferir, nesta quarta-feira, pacientes com covid-19 para o Espírito Santo. O estado capixaba, por sua vez,  já havia recebido 36 pacientes do Amazonas e 30 de Rondônia, que também foram transferidos devido ao colapso hospitalar em seus estados de origem.

No fim de fevereiro, o Rio Grande do Sul adotou medidas mais rígidas para evitar o colpaso. Em coletiva de imprensa, o o governo do Rio Grande do Sul suspendeu o modelo de gestão compartilhada, que dava aos municípios autonomia para gerir medidas contra a pandemia. Todas as regiões serão classificadas com bandeira preta e terão que seguir rigorosamente, as determinações da faixa, de maior risco de contaminação. No centro-oeste do país, o Distrito Federal começou um regime de lockdown de 15 dias no domingo (28). O decreto tem validade até 15 de março.

No início do ano, um dos primeiros estados a dar sinais de esgotamento no sistema de saúde foi o Amazonas, quando pacientes internados com covid-19 sofreram com o desabastecimento de oxigêncio nos principais hospitais do estado. No dia 15 de janeiro, quando o estado amazonense viveu o estopim da crise de oxigênio, médicos e enfermeiros relataram ter de diminuir o ar oferecido aos pacientes internados e, ao mesmo tempo, acalmá-los.

Na segunda-feira (1º), o coordenador executivo do Centro de Contingência da Covid-19 e ex-membro do Ministério da Saúde na gestão do então ministro Luiz Henrique Mandetta, João Gabbardo, afirmou que o país vive um momento extremamente crítico em meio a segunda onda da doença. "O país inteiro está colapsando, então, não é mais possível que as medidas fiquem na responsabilidade apenas dos gestores estaduais, governadores e prefeitos. É impossível que a gente fique nessa pandemia sem uma unificação de conduta", disse.

Ele cobrou que o Ministério da Saúde adote uma postura nacional de combate à pandemia com toque de recolher às 20 horas em todo o país. "O Ministério da Saúde tem de assumir as responsabilidades desse processo, deve dizer a partir de agora que está proibido qualquer tipo de aglomeração e evento, o toque de recolher a partir das 20h em todo o país, o fechamento das praias por um determinado período, o reconhecimento de um estado de emergência e um Plano Nacional de Comunicação. Isso é fundamental para que tenhamos algum resultado daqui para frente."

Ocupação de UTI no vermelho

Na última semana epidemiológica, que registrou os indicadores da pandemia de 21 a 27 de fevereiro, foi registrada a média de 54 mil casos e 1.200 mortes diárias por covid-19. De acordo com o boletim da Fiocruz, o rápido crescimento dos indicadores conforma o pior cenário no que se refere às taxas de ocupação de leitos UTI covid-19.

O estudo mostrou ainda que 18 estados e o Distrito Federal possuem taxa de ocupação de leitos de UTI covid-19 para adultos considerada crítica. Com exceção ao Amapá, todos os estados da região norte estão com taxas de ocupação acima de 80%. No nordeste, Maranhão e Piauí também ultrapassaram a linha dos 80%, que separa a zona intermediária da crítica.

No sudeste, os estados se mantiveram na zona intermediária de alerta, com algum crescimento dos indicadores em todos os estados. No sul, todos os estados permenceram na zona de alerta crítica, superando a linha dos 80% de ocupação. Por fim, no centro-oeste, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso possuem 88% e 89% respectivamente entrando para a área crítica, somando-se a Goiás e Distrito Federal, ambos com índice superior a 90%.

Entre as dificuldades apontadas pelo estudo para enfrentar a pandemia, estão dificuldades de resposta de outros níveis do sistema de saúde, morte de pacientes mortes de pacientes por falta de acesso a cuidados de alta complexidade, a redução de atendimentos hospitalares por outras demandas, possível perda de qualidade na assistência e uma carga imensa sobre os profissionais de saúde.

O estudo ressalta que  possibilidade de ampliação de leitos de UTI existe, mas não é ilimitada. Entre outros elementos, se impõem a necessidade de equipes altamente especializadas para dar conta de cuidados críticos. Em São Paulo, o secretário estadual de saúde, Jean Gorinchtey afirmou que o estado não descarta a possibilidade de reabrir hospitais de campanha. Entretanto, ressaltou que, nesse momento da pandemia, não se trata apenas de ampliar o número de leitos. "Há uma limitação de recursos humanos, médicos, enferemeiras, fisioterapeutas. Precisamos que a população mude seu comportamento."

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