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Especial Mês da Mulher: Cida Ramos – Democratizando espaços
A deputada foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.
08/03/2019 20h51
Por: Redação Portal JKR
Fonte: Agência ALPB
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Natural de Sapé, filha do caminhoneiro Adauto Francisco Ramos e da dona de casa Analine de Oliveira Ramos, a deputada estadual Cida Ramos teve paralisia infantil aos três anos, mas isso não tirou o seu sorriso e a sua vontade de transformar o mundo. Sua mãe e sua avó tiveram papel fundamental em sua criação, mostrando que a vida não seria fácil, mas que ela jamais poderia desistir ou permitir que alguém a diminuísse.

Desde cedo, entendeu que a educação e a política são os meios mais legítimos para transformar a sociedade. Em 1982, Cida ingressou na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) para cursar Serviço Social e seguiu a carreira acadêmica, tornando-se doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora da UFPB.

Mais votada nas últimas eleições estaduais, Cida ultrapassou expectativas, ratificando sua trajetória símbolo de superação e coragem. Ela chegou à Assembleia exigindo os seus direitos e trazendo inovações para a Casa, que passou por reformas no plenário com o objetivo de garantir uma melhor acessibilidade para pessoas com deficiência. A deputada foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

A senhora já ocupou espaços sociais que antes não eram ocupados por mulheres, ou que nunca tiveram mulheres em situação de protagonismo?

Cida Ramos: Eu estive em vários espaços assim. Eu faço política desde os meus 15 anos, e a política não é um espaço que a gente possa afirmar que seja feminino. Culturalmente a política é um espaço masculino. Sempre assumi cargos de gestão na universidade e no próprio Governo de Estado, quando terminei o curso de serviço social. E eu devo dizer a quem vai ler essa matéria, que mesmo em um espaço como a universidade essa questão sempre aparece. O sindicato, que foi um espaço que eu frequentei sempre, um espaço com muitos homens, às vezes eu era a única, ou uma das poucas mulheres nesse espaço, e esse debate sempre esteve presente. Eu penso que há um caminho muito longo ainda a percorrermos, no sentido de arrombarmos portas, de mostrar que as mulheres devem ocupar, e que uma sociedade só é justa, igualitária e democrática quando as mulheres têm seu espaço garantido. Não é a diferença de gênero que determina conhecimento, que determina a capacidade ou qualquer outra coisa.

Como foi ingressar na carreira política? Foi um desafio para a senhora fazer a campanha? Em algum momento se sentiu em desvantagem dentro de um cenário que dá mais credibilidade a candidatos homens?

Cida Ramos: Eu sou alguém que sempre precisei me constituir como uma pessoa que se posicionasse. Até porque para qualquer mulher é difícil ocupar espaço, mas para uma mulher com deficiência é ainda mais. Se para a mulher é reservado o espaço doméstico, para a pessoa com deficiência é reservado um quarto, um espaço totalmente privado. Então, eu sempre tive que ser muito firme e forte nas minhas posições e no meu espaço. Muitas vezes se diz que minha voz é uma voz muito incisiva, mas é uma voz que precisou se constituir assim para poder garantir que o meu espaço, o espaço das pessoas com deficiência e das mulheres, fossem garantidos.

Como a senhora se sente tendo conquistado seu espaço aqui, no Poder Legislativo, mesmo tendo que enfrentar uma grande dificuldade de gênero, que faz com que as mulheres sejam uma minoria de cinco entre 36 deputados?

Cida Ramos: Eu me sinto com uma responsabilidade imensa, meu compromisso maior aqui é fazer com este plenário, esta casa, nas próximas eleições, receba mais mulheres. Para que eu possa ver aqui outras companheiras valorosas, mulheres que eu tenho certeza que poderiam dar grandes contribuições e que não estão aqui. Então, eu vou lutar firmemente para que este espaço se amplie e se democratize cada vez mais. É a responsabilidade de garantir e de fazer um mandato com muita interlocução com a sociedade, e um mandato em que as pessoas vejam em mim credibilidade, confiança, e que possam dizer que valeu a pena votar em mim.

Recentemente a senhora foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Quais são seus planos para esse novo desafio?

Cida Ramos: A Comissão da Pessoa com Deficiência faz parte de um compromisso assumido na campanha. Eu tenho por obrigação ampliar espaços, até porque sou pessoa com deficiência, tenho que mostrar a 1,5 milhão de pessoas na Paraíba, que têm algum tipo de deficiência, que o lugar delas é vivendo a cidade, é vivendo o Estado. Que a acessibilidade é Lei, que precisa ser cumprida pelo Estado e pelo Município. Presidir essa comissão é reafirmar uma história de vida, uma história de compromisso, e eu tenho certeza que também vamos produzir muito nessa comissão.

Por consequência dos índices de feminicídio, o tema tem sido muito debatido na mídia, na política e está mobilizando ações de combate ao crime contra a mulher. Uma das suas propostas de ações seria a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar casos de feminicídio na Paraíba. Fale um pouco sobre essa iniciativa.

Cida Ramos: É uma comissão sobre feminicídio, que é um tema atual, mas é mais que isso, é um tema que toma conta da Paraíba e do Brasil. Se você liga a televisão, todos os dias você ver casos de feminicídio, e isso precisa parar! A gente precisa enfrentar esse debate, que é um debate de toda a sociedade, e de todos os poderes. Não é um tema apenas da segurança pública, como alguns dizem, é uma tema que interessa a todos nós, independente de sermos homens ou mulheres. E diz respeito a uma sociabilidade, [ao questionamento] de que relações nós estamos estabelecendo entre as pessoas em sociedade. Então, é um CPI fundamental! A gente pretende produzir, chamar segurança pública, sistema de justiça, mas a gente quer, sobretudo, que essa CPI possa dizer às mulheres que está pensando a temática, que está preocupada, que está produzindo, e que junto com os outros poderes vai enfrentar o feminicídio. Que é algo que não pode ser de uma sociedade desenvolvida, é barbárie.

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