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COLUNA

REFLEXÕES DE UMA SIMPLES CORRIDA

POR ANANIAS E. DE OLIVEIRA

Ananias E. de Oliveira

Ananias E. de OliveiraTenho 38 anos, formado em Letras (Português/Espanhol) pela Universidade de São Paulo, Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba e e Autor do livro de poesia Olhos.

09/09/2019 20h55Atualizado há 1 semana
Por: Redação JKR Notícias

Um dos ótimos lugares para extrairmos reflexões é durante as viagens de aplicativos como Uber e 99 Pop. Pessoas com histórias diversas nos oferecem visões de mundo que nos permitem trazer reflexões sobre como o homem pensa sua condição enquanto ser vivendo no mundo de hoje.

Vou iniciar meu primeiro texto da presente coluna com uma frase que ouvi hoje de um motorista de um desses aplicativos: “você já percebeu como hoje em dia só há valorização de quem tem conhecimento e escolarização? ”

Fiquei a pensar sobre essa frase. Será que é bem assim? Se existe um conhecimento que é valorizado, que tipo de conhecimento é esse?

Por um momento me veio à cabeça a quantidade de pessoas que estudam, que leem tanto e não acham essa completude que tanto almejam, já que, para os filósofos antigos, atingir o conhecimento é atingir a plenitude, e, por conseguinte, a felicidade. Não há como negar que vivemos imersos em um mundo inundado de conhecimento (ou será informação?), e mesmo se fosse conhecimento, faria grande diferença na nossa vida?

O que eu quero questionar aqui é o fato de que mesmo pessoas com um alto índice de estudo não estarem totalmente satisfeitas consigo mesmas ou com o mundo circundante.

Uma das possíveis respostas encontrada é que o conhecimento que tanto esperam que tenhamos é volátil, varia conforme as exigências do mercado de trabalho. Não nego que é um conhecimento importante, mas encaixar o ser humano somente a isso é resumir tanta potencialidade a algo que é exterior a nós, a interesses escusos e alheios, a algo que não é necessariamente humano, é algo ligado somente a nossa existência mais imediata.

Aristóteles, na Metafísica, dizia que todo homem deseja, por natureza conhecer, ou seja, é parte inerente de nós mesmos, e se algo externo se impõe, algo que é do interesse de poucos, de alguém que nem sequer conhecemos o rosto, um certo mal-estar pode ser que se instale, já que temos que forçar-nos a adequar tais interesses como se fossem nossos. Alguém aqui conhece um ser completamente feliz com seus trabalhos? Alguém que não fique torcendo para chegar o fim de semana ou um feriado prolongado?

Não quero aqui me aprofundar na importância ou não das exigências do mercado de trabalho, o que quero é questionar esse conhecimento que eles dizem ser tão importante para nossa vida, esse conhecimento que faz com que disciplinas tão centrais como filosofia, sociologia, letras estejam hoje perdendo seu espaço, talvez isso seja algo letal para nós porque faz com que percamos a incrível variedade que nos caracteriza.

O ser humano não é somente mercado de trabalho, ele é uma miríade de conhecimentos até então inexplorados, e que bom que sejam inexplorados porque sempre haverá algo por descobrir. Esse algo por descobrir é tolhido por exigências de alguém que domina as nuances ideológicas do mundo, que faz com que nos movamos para lá e para cá, que domina nosso viver, nosso vestir, nosso comer etc.. mas somos mais, muito mais, mesmo que não saibamos o quão mais somos, que possamos descobrir esse mais. Só que é preciso coragem para ser mais, como diz Nietzsche, é necessário ter o caos aqui dentro para gerar uma estrela.

 Se é de todo ser humano conhecer, que cada um tenha a oportunidade de descobrir em si mesmo esse conhecimento, aliás, você já se perguntou quanto de conhecimento você pode produzir? Pois é, é algo difícil de ser medido, então, podemos produzir sempre algo além do que podemos imaginar e podemos ir além do que algo externo nos manda produzir, podemos ir além do que nos sufoca, talvez esse algo além esteja no que estejam dizendo que não tem valor no mundo de hoje e esteja pulsando dentro de você querendo vida agora mesmo.

Ananias E. de Oliveira

formado em Letras (Português/Espanhol) pela Universidade de São Paulo,

Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba e Autor do livro de poesia Olhos.

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