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FRUTOS, BORBOLETA: A VIDA

Mais uma reflexão do colunista Juliano Azevedo.

Juliano Azevedo

Juliano AzevedoFilho, neto, irmão, amigo. Mineiro, cosmopolita, viajante, turista. Urbano da fazenda. Da roça. Esotérico de fé espiritualista. Romântico, pensador, político, cidadão. Jornalista, professor universitário, publicitário. Mestre em Estudos Culturais. Amante da televisão, de séries, de livros, de guias de turismo. Sou assim: um sujeito que se veste de diferentes formas, que ouve os mesmos discos, mas curte todos os gêneros, que possui heróis incomuns. Sou vários Uniformes, sou Juliano, o escritor.

30/05/2019 21h21Atualizado há 4 meses
Por: Redação JKR Notícias
(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

Debaixo do chuveiro, a água animando a sonolência da noite bem dormida. Naquele instante, as ideias vão surgindo, projetos, textos, demandas. A lista dos afazeres do dia é repassada para seguir corretamente a agenda, que é calculada de acordo com o correr dos ponteiros, sem atraso. Característica dos capricornianos, atrelados ao tempo, ao trabalho, à materialização dos sonhos. Simultaneamente, a escolha da roupa, do sapato, das meias coloridas. Já pensa em tudo enquanto o sabonete cumpre suas funções, o xampu lava os cabelos pretos. Os graus do clima, analisado pela janela, determinam: o casaco ou o moletom; o blazer ou a jaqueta; manga longa ou curta? Importa-se com a cor, certamente, relacionada ao sentimento daquela manhã.

Acelera! Borrifa o perfume, cama arrumada, mochila pronta. Café tomado.

Já está vestido, mas ao se olhar no espelho, instalado no corredor, sente-se nu. Fica incomodado com a imagem. Ao mesmo tempo em que se reconhece, observa-se de outra maneira. Desconhece-se. A velocidade da rotina o afasta dos momentos solitários. Nota um novo cabelo branco, uma espinha, um fio deslocado na sobrancelha. A pele suspirando por vitamina D, por melanina. Uma pinta desconhecida. Quer ficar pelado. A roupa cobre o verdadeiro eu, o interno, o ego. Algumas coisas vão perdendo o significado. Por que me visto assim? Qual será esse uniforme? Qual imagem tenho transmitido por aí? Questionou-se, voltando-se ao seu centro norteador. Lá dentro, algo se moveu.

O espelho. Esse conselheiro silencioso. Mostra a verdade? Por que refletia naquele momento, naquela data? Queria transmitir algum aviso? Ouviu o silêncio para entender as respostas e, face a face, seguiu os instintos. Quis se entregar à transparência.

Entrelaçou os braços no peito, acariciando-se. Sentiu aconchego no sorriso dos olhos. Intuiu amor próprio. Há muitos verões não se amava assim, percebendo-se sem os tecidos, as linhas, os cortes estilísticos. Projetou amor à anatomia, ao ser interno. Decidiu que teria um romance consigo, eternamente. Merecia aquele presente. Sem aniversário, sem calendário, sem celebração. Apenas, o presente. No cérebro, as frases: “cuide-se!” “Comece novamente”. “Por onde?”. Nesse diálogo, recebeu o retorno simples: “por dentro!”. Volte-se para lá.

Diante disso, decidiu se recolher. Era necessário aplicar reciprocidade a partir daquele recado. Valia a pena o recomeço, a troca, o colo, o abraço, o amor recebido e não cobrado. O sentimento direcionado a si mesmo é o combustível que impulsionaria aquela relação. Sem interesse a não ser pelos desejos de sua consciência. Entregou-se ao mistério da luz refletida pelo ouvinte que, literalmente, nada dizia, mas transmitia inúmeras mensagens, agindo como um terapeuta. Disse para a própria boca: “trate-se bem, para receber o melhor. Regue-se com seu amor, o próprio, para florescer, onde a beleza precisa brotar”. Ainda semente, ainda larva, ainda a concepção. A vida prosseguirá, em sintonia, com a natureza.

Juliano Azevedo

Jornalista, Professor, Escritor, Terapeuta.
Mestre em Estudos Culturais Contemporâneos

www.blogdojuliano.com.br

E-mail: [email protected]

Instagram: @julianoazevedo

 

 

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